Decisão nos Estados Unidos pode abrir espaço mundial para etanol do Brasil

O projeto de lei que tramita no Congresso americano para permitir o uso da mistura de 15% de etanol na gasolina o ano todo nos Estados Unidos pode resultar em u...

Decisão nos Estados Unidos pode abrir espaço mundial para etanol do Brasil
Decisão nos Estados Unidos pode abrir espaço mundial para etanol do Brasil (Foto: Reprodução)

O projeto de lei que tramita no Congresso americano para permitir o uso da mistura de 15% de etanol na gasolina o ano todo nos Estados Unidos pode resultar em uma redução do excedente exportável de etanol do país, e abrir espaço para que o Brasil passe a ofertar biocombustível para mercados que importam o produto. A avaliação é da consultoria StoneX, que tratou do tema em relatório. Segundo a consultoria, se o projeto for aprovado logo no Senado americano, no ano que vem os Estados Unidos já não conseguiriam atender à demanda de nenhum dos dez principais mercados de etanol que o país atendeu no ano passado. Em 2025, os dez principais destinos do etanol dos EUA foram, na ordem: Canadá, Países Baixos, Índia, Reino Unido, Colômbia, Filipinas, Coreia do Sul, México, Peru e o próprio Brasil. Os EUA exportaram 2,13 bilhões de galões de etanol no ano passado, ou 8 bilhões de litros. Uma estimativa da National Corn Growers Association, que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, indica que, se a mistura média de etanol na gasolina neste ano subir 0,5%, o que seria uma captura parcial da aprovação do projeto de lei, o potencial exportável de etanol cairia 16,6% neste ano, para 1,77 bilhão de galões, ou 6,7 bilhões de litros. Trata-se de uma redução de 1,3 bilhão de litros na oferta ao mundo em relação a 2025. Já para o ano que vem, o excedente exportável dos Estados Unidos cairia consideravelmente, em 76,7%, para um volume de apenas 410 milhões de galões, ou de cerca de 1,5 bilhão de galões. Isso significaria que os EUA deixariam de exportar 6,5 bilhões de litros em relação ao que exportaram em 2025. “A contração do excedente americano, sem considerar os estoques, cria espaço para fornecedores alternativos, principalmente o Brasil, ampliarem participação nos mercados importadores”, afirmou a StoneX, em relatório assinado pelos analistas Letícia Corrêa, Raphael Bulascoschi, Isabela Garcia e Lucca Scalvi. Hoje, o Brasil produz cerca de 35 bilhões de litros de etanol por ano, com volumes crescentes da produção oriunda de novas usinas de etanol de milho que estão sendo construídas, e exporta apenas uma pequena fração disso, cerca de 1,5 bilhão de litros. Segundo os analistas da StoneX, essa redução da oferta de etanol dos EUA no mercado internacional “gera pressão altista para os preços do biocombustível”. Atualmente, os Estados Unidos produzem mais de 16 bilhões de galões de etanol por ano, ou mais de 60 bilhões de litros, mas as usinas do país já estão operando no limite de suas capacidades. Por isso, o aumento da demanda interna não tende a impulsionar a produção, mas sim a consumir a parcela do etanol que hoje vai para o exterior. A Câmara dos Deputados americana já aprovou o projeto que libera o uso de E15 o ano todo, mas ainda falta a aprovação do Senado, sem data definida para votação. O projeto permite a venda de gasolina com até 15% de etanol durante junho a setembro em todo o país, período hoje em que esse teor é proibido em boa parte dos Estados. A restrição, que sempre foi justificada como uma medida para evitar o excesso de evaporação nos meses de calor e a formação de “smog”, passou a ser mais questionada com o efeito da guerra no Irã sobre os preços do petróleo e da gasolina, que levaram a uma busca por alternativas. O custo barato do milho nos Estados Unidos e o fato do etanol reduzir as emissões de gases de efeito estufa também dão argumento para o avanço da mudança. Initial plugin text