‘Estão culpando a pessoa errada pelo desmatamento no Brasil’, diz secretário do Mapa

A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) tem caráter unilateral, extraterritorial e não resolve o problema do desmatamento no Brasil, criticou Augusto...

‘Estão culpando a pessoa errada pelo desmatamento no Brasil’, diz secretário do Mapa
‘Estão culpando a pessoa errada pelo desmatamento no Brasil’, diz secretário do Mapa (Foto: Reprodução)

A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) tem caráter unilateral, extraterritorial e não resolve o problema do desmatamento no Brasil, criticou Augusto Luís Billi, secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), durante debate no Seminário Internacional do Café, em Santos (SP). “Nós diminuímos o desmatamento em 50% no Brasil. Medidas [contra o desmatamento] poderiam ser mais efetivas se fossem construídas bilateralmente”, afirmou. Ele disse que, em muitas ocasiões, apesar do Brasil divulgar os pontos fortes de sua agropecuária, entre eles questões de sustentabilidade, ainda há pessoas que “teimam em conectar a agricultura brasileira à criminalidade”. “Em algum lugar da Amazônia, tem alguém fazendo [desmatamento], tem um criminoso lá. Mas estamos tentando culpar a pessoa errada, culpar o agricultor que tem sustentabilidade no seu produto”, argumentou. Billi disse que o Brasil está tentando “fazer uma comunicação mais clara” com seus interlocutores europeus para tratar das diferenças entre a legislação e a realidade. “O europeu não entende o Brasil, não entende o mundo. Ele ainda tem uma visão eurocêntrica”, criticou. Para o diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, a lei antidesmatamento da União Europeia traz desafios, mas também oportunidades para o setor. Ele afirmou que os exportadores brasileiros devem estar preparados para atender às exigências da lei. A aplicação da norma foi adiada por dois anos após pressões dos setores produtivos, e agora está prevista para ocorrer em dezembro. “Fizemos algumas sugestões para a União Europeia. Que eles respeitem as bases públicas de informação do Brasil. Ainda não há uma diferenciação entre floresta nativa e floresta plantada. Ter um eucalipto na propriedade já aumenta os riscos”, ressaltou. O gerente de Relacionamento para América Latina da Rainforest Alliance, Kevin Lardner, destacou que a União Europeia divulgou, recentemente, um pacote com a quinta atualização de seus documentos sobre a aplicação da EUDR. Segundo ele, a intenção é dar mais clareza e, em breve, novos esclarecimentos devem surgir. “A ideia é simplificar a documentação e prover redução de custos para impedir o desmatamento”, afirmou. Apesar da lei ambiental estar prestes a ser aplicada pela UE, o acordo comercial provisório entre o bloco e o Mercosul está em vigor desde o dia 1º de maio, e traz vantagens para o agronegócio brasileiro, ressaltou o secretário. Uma delas é a redução gradual de tarifas de importação até chegar a zero. Ele ressaltou, porém, que isso não significa que houve um relaxamento na adoção de medidas sanitárias por parte dos europeus, como a recente retirada do Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal, por uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. Initial plugin text