Excesso de sementes no mercado levou Boa Safra a prejuízo no trimestre
A Boa Safra terminou 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,41 milhões no quarto trimestre, pressionada por margens apertadas, aumento nas despesas e excesso de o...
A Boa Safra terminou 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,41 milhões no quarto trimestre, pressionada por margens apertadas, aumento nas despesas e excesso de oferta no mercado de sementes, conforme balanço financeiro divulgado hoje (24/3). No mesmo período de 2024, a empresa havia registrado lucro de R$ 80,26 milhões. No acumulado do ano passado, a companhia conseguiu um lucro líquido de R$ 101,13 milhões, 37% menor que o obtido em 2024. O CEO da Boa Safra, Marino Colpo, avaliou o resultado como “decepcionante”, aquém das projeções de analistas e das expectativas da companhia. Especificamente no quarto trimestre, havia uma perspectiva de vender mais sementes que não se confirmou, e o produto foi comercializado no mercado de grãos, com menor valor agregado. Leia também Boa Safra fecha contrato de arrendamento com Syngenta Seeds Boa Safra Sementes anuncia recompra de até 2,7 milhões de ações Para Colpo, 2025 foi marcado por uma crise de excesso de oferta no setor que, inclusive, levou diversas sementeiras a pedirem recuperação judicial. O cenário foi agravado pelos preços baixos das commodities e margens também apertadas dos agricultores. O que salvou a Boa Safra foi a escala e a estratégia de gestão. “A gente se preparou. “Fizemos o IPO (oferta pública inicial de ações) há quase cinco anos, follow-on, dois CRAs. Nenhuma empresa de sementes tem a estrutura que a gente tem”, explicou o diretor financeiro da companhia, Felipe Marques. “Em um ano de crise, com nossos concorrentes em RJ (recuperação judicial), passamos com o resultado abaixo das expectativas, mas a gente cresce”, acrescentou o diretor. Segundo ele, a empresa teve ganho de 2 pontos percentuais em market share em 2025 e passou a ocupar uma parcela de 10% do mercado de sementes. A receita operacional líquida atingiu R$ 1,23 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 29% na variação anual. No acumulado do ano passado, este desempenho alcançou R$ 2,62 bilhões, com avanço de 42%. Em contrapartida, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 58,5 milhões no quarto trimestre, queda de 55%. No ano, a redução foi de 16% neste indicador, para R$ 154,06 milhões. Ao longo de 2025, a Boa Safra também teve aumento das despesas com pessoal decorrente de seu projeto de expansão e diversificação de culturas. Em meio à crise, o CEO ressaltou que a empresa decidiu enxugar parte dos custos e otimizar a estrutura de pessoal. “Crescemos com velocidade e acabamos investindo um pouco a mais em algumas áreas”, admitiu Colpo. Agora, o executivo ainda vê um cenário desafiador para 2026, mas com possibilidade de colher os frutos com o ganho de participação no mercado e as apostas em outras culturas, que devem começar a trazer resultados positivos para a empresa a partir deste ano, embora a soja ainda seja o carro-chefe. “Na parte de sementes, o que a gente tem percebido em conversas é que existe uma diminuição no volume da semente ofertada. Acho que vamos ter preços mais firmes de semente esse ano. Pelo menos essa é a tendência”, estimou o CEO. Num ambiente de despesas maiores com combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio, que elevou as cotações do petróleo, Colpo afirmou que as altas do diesel podem ser repassadas ao valor do produto final. Além disso, segundo ele, o principal motor de demanda por sementes é a área de plantio do país e a expectativa para a safra 2026/27 de soja é de, ao menos, estabilidade. “O produtor pode reduzir fertilizantes, defensivos. Semente não tem substituto”, completou o diretor financeiro.