Frescal de São Joaquim conquista Indicação Geográfica

O frescal - um tipo de carne salgada e dessecada - produzido no município de São Joaquim, em Santa Catarina recebeu oficialmente, do Instituto Nacional da Pr...

Frescal de São Joaquim conquista Indicação Geográfica
Frescal de São Joaquim conquista Indicação Geográfica (Foto: Reprodução)

O frescal - um tipo de carne salgada e dessecada - produzido no município de São Joaquim, em Santa Catarina recebeu oficialmente, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP). O reconhecimento nacional foi publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nesta terça-feira (19/5). Com o novo registro, o Brasil passa a contar com 172 IGs: 43 Denominações de Origem (DO), sendo 33 nacionais e 10 estrangeiras, e 129 IPs, sendo 128 nacionais e uma estrangeira. A tradição do frescal está diretamente ligada à história da pecuária no Planalto Catarinense. Desde o século XVIII, tropeiros que conduziam gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, utilizavam a região como ponto de descanso e engorda dos animais. Nesse contexto, surgiu a prática de salgar a carne para garantir sua conservação durante as longas viagens. Com o passar do tempo, a técnica foi sendo adaptada e aperfeiçoada pelas famílias locais, dando origem ao frescal de São Joaquim. O nome do produto teria surgido há cerca de 50 anos, após um jornalista provar a carne em uma churrascaria local e afirmar que ela não era charque nem carne fresca, mas sim um “frescal”. A expressão acabou popularizando o produto em todo o país. A notoriedade do frescal também está associada às características naturais da Serra Catarinense. O gado é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente de baixas temperaturas. Essas condições contribuem para a maciez e o sabor característicos da carne. O processo de preparo mantém características artesanais. As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sempre sem exposição direta ao sol. Diferentemente do charque ou da carne de sol, o frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência da carne. O frescal foi o primeiro produto cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte. Além disso, o município de São Joaquim instituiu oficialmente o “Churrasco de Frescal” como prato típico local, e o produto também foi declarado patrimônio cultural de Santa Catarina. Leia também Banana do Vale do Ribeira conquista selo de indicação geográfica Café da Chapada de Minas conquista Indicação Geográfica