Frimesa aposta em expansão para encurtar distância das gigantes do mercado
Quarta colocada em abate e processamento de suínos no país, a cooperativa paranaense Frimesa pretende diminuir a distância para as gigantes do setor, amplian...
Quarta colocada em abate e processamento de suínos no país, a cooperativa paranaense Frimesa pretende diminuir a distância para as gigantes do setor, ampliando sua participação no mercado dos atuais 8,5% para cerca de 14% até 2032. A meta faz parte do planejamento para dobrar o faturamento até 2032. Em 2025, a Frimesa faturou R$ 7 bilhões. Uma das estratégias é ampliar a presença no Estado de São Paulo. Ontem, a Frimesa inaugurou escritório comercial na zona leste da capital paulista. “Com o crescimento de escala, vêm os desafios de varejo, de como chegar no consumidor”, afirmou o presidente-executivo, Elias José Zydek. Para ele, há uma tendência de concentração no mercado de suínos. Hoje, disse, não é viável abater menos de 4 mil a 5 mil cabeças por dia. “São muitas exigências legais, ambientais, sanitárias”, justificou Zydek, que aposta que até 2032 devem permanecer no mercado no máximo dez empresas competitivas. Apesar disso, a Frimesa não cogita aquisições nos próximos anos, afirmou. Leia também Frimesa se compromete a não usar mais gaiolas de gestação de suínos Frimesa investe R$ 22 milhões em produção de biometano para neutralizar emissões Hoje, as empresas que mais abatem suínos no Brasil são MBRF, Aurora e JBS (Seara). “Estamos ainda distantes do terceiro [lugar], por isso há espaço para crescer”, observou Zydek. Mesmo que a Frimesa consiga ampliar a participação no mercado, a possibilidade de diminuir a distância para o pódio irá depender “das velocidades que eles [concorrentes] andarem”, segundo ele. O plano de fortalecimento da presença no Estado de São Paulo abrange tanto o segmento de carne suína quanto de lácteos. Porém, a suinocultura representa um peso maior para a Frimesa — responde por 72% do faturamento. O frigorífico de Assis Chateaubriand (PR), inaugurado em 2022, também faz parte desse plano, segundo o dirigente. O investimento foi de R$ 1,35 bilhão, porém novos aportes devem ser realizados para que a planta seja concluída. Atualmente, 15% a 16% do faturamento da Frimesa vem do mercado paulista. O projeto é dobrar essa participação. A atualização da imagem da empresa também faz parte da estratégia, com mudanças nas cores e na logomarca utilizadas nos produtos — além de uma maior capilaridade no varejo. Uma ação para tornar a marca mais conhecida foi o patrocínio à camiseta do Corinthians, com contrato recentemente renovado. Outra iniciativa da Frimesa para avançar no mercado é a adequação do portfólio. “Dos mais de 500 itens que temos no portfólio, uma grande parcela era para o transformador, grandes pacotes, grandes volumes. Agora, com essa revisão do portfólio, seja no segmento de carne ou de lácteos, estamos direcionando mais para o consumidor final”, afirmou o superintendente comercial, Rodrigo Fossalussa. Segundo Zydek, o mercado externo representa 26% do faturamento, o que não deve sofrer grandes alterações no planejamento até 2032. Os embarques da empresa não foram afetados pela guerra, pois os países do Oriente Médio não consomem carne suína. Porém, o frete ficou 7% mais caro.