Na Agrishow, Pulver Farm aposta em ecossistema para avançar com drones agrícolas
A Agrishow 2026, marcada para acontecer entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), chega sob o signo da digitalização e da gestão orientada po...
A Agrishow 2026, marcada para acontecer entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), chega sob o signo da digitalização e da gestão orientada por dados. Nesse ambiente, os drones agrícolas deixam de ocupar o lugar de novidade pontual e passam a se consolidar como parte da infraestrutura produtiva do campo. A própria organização da feira destaca que a tecnologia já aparece em 61% das propriedades pesquisadas, associada a funções como monitoramento, identificação de falhas e pulverização localizada. O avanço ajuda a explicar por que empresas do setor começam a defender uma nova etapa para a tecnologia de aplicação agrícola. Mais do que vender aeronaves, a disputa passa a girar em torno da capacidade de montar uma operação consistente, com preparo de calda, suporte técnico, treinamento e ganho real de eficiência na lavoura. É nesse recorte que a Pulver Farm pretende se posicionar na Agrishow, apresentando um ecossistema voltado à pulverização com drones e pulverizadores terrestres. O pano de fundo é um mercado que acelerou em pouco tempo. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil saiu de uma estimativa de 3 mil drones agrícolas em 2021 para 35 mil unidades em operação em 2025, movimento impulsionado pela regulamentação do uso a partir da Portaria nº 298. O próprio ministério reconhece que a tecnologia evoluiu rapidamente e informou que um novo decreto e novas portarias devem ser publicados para atualizar as regras do setor. Esse crescimento, porém, também expõe um ponto importante: a profissionalização da operação. Na mesma atualização, o Mapa informou que, até aquela semana, apenas 2.618 aeronaves remotamente pilotadas estavam cadastradas para pulverização, o que mostra que a expansão da base instalada ainda convive com desafios de formalização, capacitação e padronização técnica. Em outras palavras, o mercado cresceu, mas agora precisa amadurecer. Na prática, essa maturidade depende menos do brilho do equipamento isolado e mais da integração entre as etapas da aplicação. A Embrapa vem chamando atenção para esse ponto ao mostrar que os drones já permitem pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único equipamento, ao mesmo tempo em que cresce o mercado de prestadores de serviço especializados. Quando a operação ganha escala, temas como preparo da calda, estabilidade da mistura, deposição e redução de deriva deixam de ser detalhes técnicos e passam a interferir diretamente no resultado agronômico e no custo por hectare. É nesse espaço que a Pulver Farm tenta ampliar sua presença. Além dos drones agrícolas, a empresa produz a linha Farm Mix, de misturadores de calda, e adjuvantes desenvolvidos para melhorar deposição, reduzir deriva e aumentar a eficiência da aplicação. A lógica da companhia é defender que a adoção dos drones no agro brasileiro entrou em uma fase em que produtividade não depende apenas da aeronave, mas da articulação entre equipamento, insumo, preparo e operação em campo. Imagem divulgação Pulver Farm Segundo Joanes Paulo, fundador da Pulver Farm, a tendência é que o produtor rural passe a cobrar cada vez mais previsibilidade operacional e menos soluções fragmentadas. Nessa leitura, o valor da tecnologia não está apenas no voo, mas na consistência da aplicação, na redução de perdas e na capacidade de transformar inovação em rotina produtiva. A empresa construiu sua trajetória a partir da atuação prática no Paraná, onde ajudou a consolidar a pulverização com drones, e hoje busca reforçar sua posição como fornecedora de soluções completas em tecnologia de aplicação. O movimento inclui expansão de vendas e parcerias na América Latina e uma estratégia de internacionalização que mira o mercado norte-americano, em um momento em que o setor passa a valorizar não só a adoção da tecnologia, mas a eficiência do ecossistema que a sustenta. No contexto da Agrishow, essa mudança de foco parece fazer sentido. Se a feira deste ano se propõe a mostrar uma agricultura cada vez mais guiada por inteligência, previsibilidade e integração de dados, o avanço dos drones tende a seguir a mesma lógica: o equipamento continua importante, mas o diferencial competitivo passa a estar na operação completa. Para empresas como a Pulver Farm, a oportunidade está justamente em ocupar esse espaço entre a inovação visível e o resultado concreto no campo.