Parasitas provocam perda de até 13 quilos por animal na pecuária brasileira, diz estudo
A presença de parasitas no rebanho brasileiro provoca um impacto de 13 quilos de peso vivo por animal ao ano na pecuária de corte. No gado de leite, essa perd...
A presença de parasitas no rebanho brasileiro provoca um impacto de 13 quilos de peso vivo por animal ao ano na pecuária de corte. No gado de leite, essa perda é calculada em 7% da produção anual. Os números fazem parte de uma pesquisa do Datafolha encomendada pela Boehringer Ingelheim, empresa alemã do ramo de saúde humana e animal. O estudo não calculou o impacto financeiro, mas a multinacional cita dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de 2024, que estima as perdas econômicas em mais de R$ 16 bilhões por ano. O cenário tem sido agravado pelo aumento da resistência dos carrapatos às moléculas tradicionais e pelas mudanças climáticas. "Quando há um clima mais quente, chuvoso e úmido, temos uma probabilidade maior do desenvolvimento dessa população de carrapatos", avalia o diretor de Grandes Animais da companhia, Filipe Fernando. Leia também: Brasil pede à União Europeia transição para antimicrobianos Primavera é o momento ideal para proteger o rebanho dos carrapatos Como os drones prometem transformar o combate ao carrapato bovino A pesquisa entrevistou 490 pecuaristas em 13 Estados. O carrapato lidera o ranking das ameaças, citado por 70% dos entrevistados como o parasita que mais preocupa. A mosca-dos-chifres aparece em segundo lugar, com 48%, seguida pelo berne, com 17%. O estudo mensurou não apenas o impacto na produção, mas também no manejo: 91% dos entrevistados afirmaram que seu rebanho já recebeu ou costuma receber produtos para prevenção e tratamento do carrapato. Ao mesmo tempo, apenas 20% utilizam calculadora de produtividade (ROI) para decidir sobre a compra de parasitários, indicando que a decisão raramente é orientada por uma análise formal de retorno econômico. "Quanto mais infecções por esses parasitas, além do impacto na redução do peso e na produção do leite, muitas vezes eu vou ter de fazer um manejo maior, despender mais mão de obra, mais tempo e mais energia para conseguir controlar", observa Fernando. O custo dos produtos é citado como principal obstáculo por 47%. A dificuldade de mão de obra aparece na sequência, com 23%. Segundo Fernando, o avanço da resistência dos carrapatos está ligado principalmente ao uso repetitivo das mesmas moléculas ao longo dos anos, muitas vezes sem rotação de princípios ativos ou protocolos técnicos adequados. De acordo com ele, algumas regiões do país já apresentam populações resistentes a produtos tradicionais utilizados no controle parasitário, o que reduz a eficácia dos tratamentos e aumenta os custos do produtor. O representante da empresa diz que a Boehringer trabalha no desenvolvimento de uma nova geração de moléculas antiparasitárias. O produto ainda não tem previsão de lançamento. A multinacional investe globalmente cerca de 6 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento (P&D) por ano. Na avaliação de Fernando, os números apontam que o Brasil tem condições de ampliar a produção de carne bovina sem necessidade de ampliar o rebanho. Nos Estados Unidos, principal concorrente da pecuária brasileira no mercado internacional de carne bovina, as perdas por carrapatos representam até US$ 19 bilhões anuais. Initial plugin text