Setor privado defende participação aberta no leilão do Tecon Santos 10

Exportadores de café e operadores logísticos esperam a realização ainda neste ano do leilão do Terminal de Contêineres 10 (Tecon Santos 10) no Porto de Sa...

Setor privado defende participação aberta no leilão do Tecon Santos 10
Setor privado defende participação aberta no leilão do Tecon Santos 10 (Foto: Reprodução)

Exportadores de café e operadores logísticos esperam a realização ainda neste ano do leilão do Terminal de Contêineres 10 (Tecon Santos 10) no Porto de Santos (SP). Durante o Seminário Internacional do Café, que termina nesta quinta-feira (21/5), eles defenderam a concorrência com ampla participação de empresas interessadas em arrendar o local. O projeto envolve uma área de 621,975 mil metros quadrados na região do cais do Saboó, à margem direita do Porto de Santos. O contrato de arrendamento tem prazo de 25 anos, com valor total de R$ 43,64 bilhões e investimentos previstos (Capex) de R$ 6,54 bilhões. A expectativa do governo é a de publicar o edital entre julho e agosto, disse, na quarta-feira (20/5), o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, em audiência da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. Ele considera possível leiloar o arrendamento da área ainda neste ano. Área do Tecon 10 no Porto de Santos Mpor/Reprodução “Precisamos vencer a nossa burocracia e avançarmos com esse leilão, estratégico para o complexo portuário a infraestrutura nacional”, afirmou o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, em entrevista durante o evento, em Santos. “O processo está maturado”, acrescentou. Durante debate sobre logística no Seminário, Pomini destacou que, atualmente, o Porto de Santos ocupa a 37ª colocação no ranking mundial de movimentação de contêineres. Com o Tecon 10 em plena operação, passaria a 20º do mundo no segmento. De outro lado, a demora na realização da obra já traz perdas. Também durante o debate, Luis Montenegro, da Neowise Consultoria, estimou que a demora na construção do Tecon 10 causou prejuízos de quase R$ 3,8 bilhões entre 2019 e 2025. A conta se baseou em valores de afretamento e espera de navios em terminais portuários. Do valor total, R$ 2,3 bilhões representam o custo equivalente ao tempo em que uma embarcação fica parada no porto à espera de carga. E o que se deixou de arrecadar com a falta do terminal soma R$ 1,5 bilhão. “Era algo que poderia ser investido em aprofundamento do canal, em uma rodovia melhor, uma ferrovia melhor. E estamos deixando de arrecadar recursos importantes para o porto”, disse, em entrevista após o painel. “É uma urgência. Esse custo aumenta exponencialmente”, acrescentou. O processo do Tecon 10 esbarra na discussão sobre o modelo do leilão. O Tribunal de Contas da União (TCU) defende limitações à participação dos armadores, para evitar verticalização de operações. O Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), ligado à Casa Civil, discorda. No início deste mês, a Pasta recomendou ao Ministério de Portos e Aeroportos que conduza o leilão sem restrições aos armadores. Representantes do setor privado manifestaram apoio à posição. “É uma questão de mercado. No momento, a gente está discutindo qual a melhor modelagem. O que a gente defende é que seja um leilão aberto”, avaliou o diretor-presidente da MSC no Brasil, Elber Justo, com a expectativa de que o governo realize o leilão do Tecom 10 ainda neste ano. Mário Povia, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), disse concordar que a ampla participação é o melhor caminho. Acrescentou que o Brasil tem órgãos reguladores para atuar na preservação da concorrência no setor logístico. “Se uma empresa tiver que vender algum ativo (para arrendar o Tecon 10), que seja endereçado. A restrição da concorrência não é uma regra boa. Tem a possibilidade de provocar uma judicialização e postergar a oferta do terminal”, alertou. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) também já se manifestou favorável à posição da Casa Civil. A entidade avalia que, sem a restrição aos armadores, não há mais entraves ao processo, nem riscos de o leilão ser discutido na Justiça. Em entrevista durante o Seminário Internacional do Café, o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, pontuou que o Tecon 10 é necessário para melhorar a eficiência do Porto de Santos, junto com outras obras de infraestrutura, como a melhoria dos acessos e o aprofundamento do calado. Heron reforçou a defesa de que o leilão do terminal de contêineres deve ter ampla concorrência. E disse discordar da ideia de que uma mudança no modelo de participação poderia postergar ainda mais o processo. O executivo disse que a posição da Casa Civil apenas resgata o que já contava de estudo anterior da própria Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). E que a orientação ao Ministério de Portos e Aeroportos apenas traz alguns “esclarecimentos”. “Manter as restrições ao mercado levaria à judicialização. É uma narrativa sem fundamento. Queremos acreditar que o manifesto do PPI será acatado e o edital refletir essa orientação. Se for assim, tem tudo para o leilão ocorrer neste ano”, afirmou. Initial plugin text