Vitácea Brasil se une à multinacional chilena para produzir mudas clonadas de frutas
A empresa Vitácea Brasil, líder de mercado na produção de mudas clonadas de uvas, se uniu à multinacional chilena Grupo Hijuelas, que tem expertise em clon...
A empresa Vitácea Brasil, líder de mercado na produção de mudas clonadas de uvas, se uniu à multinacional chilena Grupo Hijuelas, que tem expertise em clonagem de espécies frutíferas, para a criação de uma nova empresa no Brasil para a produção de mudas de genética avançada e de alta sanidade. O plano envolve diversas frutas, como cereja, morango, mirtilo, pêssego, ameixa e nectarina. A nova empresa, que será chamada de Vitácea-Hijuelas, nasce com investimento de R$ 15 milhões em infraestrutura tecnológica, incluindo laboratórios de micropropagação, unidades de multiplicação genética e expansão de campos de matrizes. Cada empresa entra com 50% do valor. A sede será em Caldas, sul de Minas Gerais, além de uma filial em Petrolina (PE). O plano é atingir a produção de 5 milhões de mudas por ano em 2027 e chegar a 15 ou 20 milhões em cinco anos. Para comparar, a Vitácea produziu 3 milhões de mudas no ano passado. A expectativa em cinco anos é alcançar o triplo ou o quádruplo dos R$ 16 milhões que a empresa mineira faturou no ano passado. “O que nos move é a paixão pela tecnologia, clonagem e multiplicação in vitro. Queremos melhorar a qualidade dos pomares brasileiros”, diz o engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque Regina, fundador da Vitácea, que trouxe clones de uvas da França e criou a técnica da dupla poda em videiras que permite a produção de uvas vinícolas nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Ele conta que há três anos ele e os sócios - dois viveiristas franceses - e o empresário José Afonso Davo, dono da Vinícola Davo e da empresa de logística Jadlog, começaram a se questionar sobre o risco de ter uma empresa grande como a Vitácea, com muitos funcionários e produzir apenas mudas de uva para mesa e vinho. Mudas clonadas de videira no viveiro da Vitácea em Caldas (MG) Divulgação Desse questionamento nasceu o interesse em atender a Kuara Frutas, de Petrolina, que pediu parceria para importar um programa genético de mudas de morango e de cereja de uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos. Atualmente, segundo Murillo, o Brasil importa mais de 90% das mudas de morango e não tem nenhum plantio de cereja. Seis variedades de cereja foram importadas para introduzir a cultura no país, mas faltava o porta-enxerto para as mudas. Assim, a empresa americana sugeriu a importação do porta-enxerto do Grupo Hijuelas, que está presente com sua tecnologia em sete países da América e da África, além de ter parceria em um laboratório francês. “O diretor do Hijuelas nos disse que teria interesse no negócio, mas queria avançar e entrar no mercado de fruticultura no Brasil, país que tem como atrativos a produção em clima frio, tropical e subtropical, além de consumo interno grande e, o principal, água de qualidade”. Mudas de morango serão produzidas a partir do negócio entre as duas empresas Divulgação Houve visitas nos dois países e, desse namoro, saiu o casamento, que será oficializado na Fruit Attraction, feira internacional que começa nesta terça (24/3) na capital paulista. As mudas de cereja já estão em quarentena e logo virão as de pêssego, ameixa, nectarina e morango. A genética do mirtilo deve vir da Austrália e, a do pêssego, dos Estados Unidos. Estão no radar também framboesa, amora, berries e outras plantas de clima temperado, tropical e subtropical. Outros planos Em uma segunda fase, a intenção dos parceiros é produzir mudas clonadas de abacate, manga e goiaba, frutas que hoje são produzidas a partir do caroço, o que acarreta variações genéticas. “Não fechamos o portfólio das espécies que vamos trabalhar. Pretendemos produzir plantas e porta-enxertos para as espécies que tiverem demanda no Brasil. No futuro, podemos incluir também mudas de café, considerando que o país precisa de 500 milhões de mudas por ano, e de cannabis, que teve legalizado o plantio para fins medicinais. Alguém vai ter produzir essas mudas”. A nova empresa está construindo mais estufas no sul de Minas, ampliando a área atual de um hectare ocupado pela Vitácea para três hectares, e deve quintuplicar o laboratório. Vai iniciar as atividades com 20 funcionários, usando parte da estrutura administrativa e de campo da empresa fundada por Murillo e os sócios franceses em 2003. Empresas A Vitácea Brasil, que tem 150 funcionários, vai permanecer atuando sozinha na produção de mudas de videiras, atendendo todos os mercados nacionais com fornecimento de mudas de raiz nua, aquelas que ficam em dormência em geladeira, na ausência de terra. A empresa também tem vinhedo próprio, restaurante, produz duas marcas de vinho e presta consultoria técnica em todo o país. O Grupo Hijuela, que foi fundado há mais de 40 anos e tornou-se um dos principais viveiristas de plantas frutíferas do mundo, também vai manter seus negócios individuais no Chile e no mundo. A empresa é reconhecida pelo uso de biotecnologia aplicada à agricultura, incluindo técnicas avançadas de clonagem, micropropagação e análises genéticas voltadas à garantia de sanidade e produtividade das mudas.